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A grande questão do nosso “tempo”

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Tem-se discutido imenso o que se fez, ou não se fez, após a tempestade Kristin. Discutiu-se menos o que se fez antes. No máximo, soltaram-se por aí uns queixumes acerca da falta de informação preventiva. Os queixumes são pouco informados: no dia anterior à calamidade, com cerca de 12 horas de avanço, o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) publicou um comunicado a prever ventos de 160 km/h “ou mesmo de 180km/h”, nas declarações de uma meteorologista do Instituto. A mesma senhora, Maria João Frada, referiu à RTP a possibilidade de um “impacto catastrófico” e recomendou às pessoas “para se manterem em casa, com as persianas bem fechadas, e protegerem estruturas”. Ou seja, embora as zonas de alcance da tempestade permanecessem vagas (“algures entre Leiria e Braga”), a sua dimensão e consequências plausíveis estavam bem definidas. Haveria uma grande diferença caso as pessoas tivessem prestado atenção e agido em conformidade? Provavelmente, nem por isso. Alguém prestou atenção? Não.

O problema do IPMA não é a escassez de avisos: é o excesso. O IPMA produz centenas e centenas de avisos por ano, dezenas e dezenas por mês, às vezes uma data deles num único dia. No momento em que escrevo, o distrito de Lisboa está sujeito a seis avisos, três amarelos e três laranjas. O do Porto a cinco. O de Setúbal a sete. São demasiados avisos, demasiados alertas,........

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