A Europa já está a arder?
Não contem comigo para criticar a demora das televisões portuguesas em referir, ainda que ao de leve, a balbúrdia que assola a França há semanas. Percebo sem dificuldade que, nos últimos anos, décadas ou quiçá séculos, seja quase impossível distinguir os períodos em que a França se encontra em estado de sítio dos períodos restantes, que são aqueles em que a França se encontra na mesma em estado de sítio mas com uma quantidade diária de actos de vandalismo ligeiramente inferior à média nacional.
Desta vez, e também sem grande surpresa, os protestos são da variante “estudantil”. Em Setembro, os alunos de um liceu suburbano em Créteil decidiram que as turmas tinham excesso de gente, que havia falta de docentes e que o mobiliário escolar exibia sinais de degradação. Para quem, como eu e o português comum, frequentou “secundárias” públicas tão luxuosas quanto o “lounge” Chase Sapphire do aeroporto LaGuardia, estes relatos da miséria causam um nó na garganta. Por isso não admira que, se os resmungos em Créteil foram genericamente pacíficos, num ápice centenas de milhares de “estudantes” franceses concordassem necessitar de melhores condições de aprendizagem e desatassem a demolir e a incendiar a propriedade alheia que lhes bloqueava o progresso académico. A sede de conhecimento daqueles miúdos comove. Os mais ousados nas reivindicações pedagógicas agrediram polícias, pegaram fogo a um bombeiro e lançaram ácido no rosto de uma idosa que não apreciou a prossecução de um bonito “graffiti”. Cada episódio foi filmado por bandos........
