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O preço que muda quando sabe quem somos

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28.05.2026

Durante décadas, habituámo-nos a pensar no preço como uma informação pública. Um produto tinha um valor marcado na prateleira, num catálogo ou num site. Podia haver promoções, saldos ou variações de procura, mas existia uma ideia essencial: consumidores na mesma situação deveriam encontrar o mesmo preço.

Essa ideia está a desaparecer.

A nova fronteira do comércio digital chama-se surveillance pricing: preços definidos com base na vigilância. Não se trata apenas de ajustar valores à procura ou ao stock disponível. Trata-se de usar dados pessoais, localização, histórico de compras, comportamento online, perfil económico e sinais de urgência para calcular quanto cada pessoa estará disposta a pagar.

É a lógica comercial no seu estado mais predatório: cobrar a cada consumidor o máximo que ele aguenta.

O problema está na assimetria brutal de poder. A empresa sabe cada vez mais sobre o consumidor; o consumidor sabe cada vez menos sobre o preço que lhe é apresentado. Não vê o preço dos outros, não sabe que dados foram usados, nem percebe se está a pagar mais por ser apressado, fiel à marca, pouco atento,........

© Observador