Elas também são como nós: as mulheres por trás do distintivo
A gente fala muito da vítima que chega na Delegacia da Mulher e com razão, mas pouco se fala de quem abre a porta. Das investigadoras e psicólogas que escutam por oito horas o que ninguém aguenta ouvir por cinco minutos, do almoço corrido, dos intervalos regrados, porque a sala está cheia e a cada minuto mais mulheres chegam pedindo socorro. A Casa da Mulher Mineira recebe, todos os dias, dores que não cabem no papel e, após visita ao local, saí com uma certeza: quem atende também sente, apesar da posição e desse cargo que elas ocupam.
Da inspetora que volta pra casa e abraça a filha pensando na menina que acabou de ouvir. Da delegada que precisa ser firme na lei e humana no olhar e que lidera toda uma equipe, ela precisa cuidar de todos, mas quem cuida dela? Elas são a lei, mas antes disso, são mulheres. São mães que deixam os filhos na escola pra ir acolher filhos de outras. São esposas que negociam o plantão no feriado porque outra mulher........
