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O Estado quer tomar conta da sua Horta

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29.05.2026

Portugal nasceu de hortas, quintais, quintas e quintinhas. Talvez isso não conste dos livros de história, nem encaixe na velha imagem do “jardim à beira-mar plantado”. Jardins são bonitos. Mas não alimentam povos. Hortas, sim.

E tudo começou, afinal, com uma horta.

No século XI, D. Afonso VI, rei de Leão e Castela, precisou de ajuda para combater os Almorávidas. Voltou-se para a Europa cristã e entre os cavaleiros que responderam ao apelo, surgiu um jovem francês: D. Henrique. Guerreou com tanto sucesso, que recebeu como recompensa a mão de Teresa, filha do rei e um território agreste junto ao Minho: o Condado Portucalense. Uma horta portanto.

Mas aquela “horta” não lhe pertencia verdadeiramente. D. Henrique não era dono da terra; tinha apenas o direito de a administrar, defender e explorar, cobrando rendas e impostos a quem nela trabalhasse. O rei continuava a ser o verdadeiro proprietário. Era assim o mundo feudal: quando a Coroa não tinha capacidade para ocupar ou proteger as terras, entregava-as temporariamente aos nobres que lhe juravam vassalagem.

Claro que existiam outros modelos. O Condado Portucalense já tinha vida antes da nacionalidade. Pequenos proprietários, baldios comunitários, presúrias, cartas de foral, terras das ordens religiosas. Foi aí, em parte, que nasceu o mosaico fragmentado do território português, feito........

© O Mirante