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Até quando, passado, abusarás da nossa paciência?

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Numa ida ao museu municipal Carlos Reis, no último sábado, a fim de participar numa acção cultural com a pintora torrejana Conceição Lopes, ouvi, dum interlocutor, ao defender a construção do museu de arqueologia industrial, que «quem não está atento e não respeita o seu passado, não está a contribuir para a construção do futuro». Costumo escrevê-lo doutra forma: quando se esquece o passado, amputa-se o futuro, envenenado que está o presente.

A caminho do 52º aniversário do 25 de Abril, no 50º da Constituição da República Portuguesa, a desmemória provocada pela recuperação saudosista dum passado nacionalista, que ignora 48 anos de ditadura, doze duma guerra colonial com milhares de jovens, mortos e feridos, em defesa dos interesses dos Mello da CUF, dum Tenreiro, por aí fora.

Tenta-se esconder um passado colonial de esclavagismo selvagem e criminoso em África e no Brasil, estruturado numa acção de roubo e pirataria, na Índia e na Ásia, assente na carne para canhão do português iludido pelos cantos de sereia das especiarias e do ouro, que enchiam os cofres de minorias, cuja riqueza assentava na violência do mais forte.

Sob o manto diáfano dum nacionalismo, a partir do século XVI, assentou a escrita do passado, com a expansão manuelina, no racismo católico e na brancura duma pele, sob a bênção dum Cristo judeu crucificado, que a inquisição peninsular, cada uma a seu modo, impunha numa acção de ódio antissemita: ou crês, ou morres.

Na realidade, gera-se um domínio multissecular, já desde o século XV, duma trilogia clássica: uma corte parasitária e consumista, uma nobreza aristocrática militar elitista e violenta, um clero, regular e secular, controleiro da mentalidade do servo da gleba ou do mesteiral obreiro, como da mulher criada de servir, trabalhadora na terra, parideira da mão d’obra necessária para a continuidade da exploração do império colonial.

Uma excepção, nessa época, que usou o negócio e a usura como forma de superar o tradicionalismo clássico do clero, nobreza e povo: a burguesia. Motivadora do classicismo económico do Império Romano do Ocidente e do racionalismo renascentista, por sua vez defensora duma sociedade liberal, mas onde os direitos da cidadania são acorrentados pelos espigões das grilhetas do lucro forjado pela exploração da força de trabalho, físico ou intelectual, dum proletariado multifuncional.

São, hoje, suas herdeiras, as elites do mundo económico, político, religioso, militar, contemporâneo. É deles o que nos rodeia, na civilização ocidental, na arte, na cultura, na ciência, na técnica, ficando submersa e cada vez menos influenciadora, a revolta operária contra a exploração que a revolução industrial suscitou, que gerou um outro tipo de sociedade, que fascinou e influenciou a humanidade trabalhadora a partir do século XIX.

Só que, por divisionismos e burocracia controleira, a sua influência começou a submergir, no mundo ocidental, ante o ressurgimento autoritário dum neoliberalismo assente no consumo e nos novos contos de fadas da supremacia branca, do nacionalismo colonial, do catolicismo tradicionalista, da desigualdade de direitos homem/mulher, no uso da força como forma de direito de posse.

Basta abrir um qualquer jornal, seguir um dos múltiplos (só na forma, não no conteúdo) canais televisivos, espreitar a diversas redes na internet do telemóvel de bolso, o rosário contemporâneo da religião do espírito de submissão do humano aos dogmas das elites oligárquicas, para se perceber como, no presente, se reescreve a história dos últimos séculos.

Que futuros se vão torneando na argila do oleiro do tempo quotidiano?

Lembrou-me o primeiro estudo que publiquei sobre história concelhia: Torres Novas na Primeira República. Dezasseis anos que tinham desaparecido do passado, mas que faziam parte da minha família, que assentara os seus ideais nos princípios republicanos que o fascismo segregara. Aliás, professor de história, desde 1963 até 1974, nunca o programa da disciplina ultrapassava a revolução francesa, no universal, e no nacional, a reforma pombalina, mas sem uma única referência sobre a inquisição ou a escravatura, tudo lavado pelo TIDE da pátria do S da farda da Mocidade Portuguesa a imitar a fascista de Mussolini e a nazi de Hitler, sob a orientação rural de Salazar e a bênção apostólica do cardeal Cerejeira.

Em que passado queremos colocar as pedras do futuro?

Os museus que temos serão os que merecemos, ou poderíamos, de raiz, pensar num espaço menos burocrático, mais dialogante, com salas do passado e do presente, onde houvesse, além de espaços de exposição e de diálogo, outros de criatividade e de aprendizagem?

Torres Novas sempre se habituou a tratar, de forma enviesadamente elitista, a cultura. Daí a sensação de que o que mexe, o que vale, o que marca, o que se sente, o que cria e constrói, o que falta, fica sempre à margem, numa história que nunca chega a ser um caminho que corresponda aos valores profundos da dinâmica da mentalidade criativa concelhia.

Numa ida ao museu municipal Carlos Reis, no último sábado, a fim de participar numa acção cultural com a pintora torrejana Conceição Lopes, ouvi, dum interlocutor, ao defender a construção do museu de arqueologia industrial, que «quem não está atento e não respeita o seu passado, não está a contribuir para a construção do futuro». Costumo escrevê-lo doutra forma: quando se esquece o passado, amputa-se o futuro, envenenado que está o presente.

A caminho do 52º aniversário do 25 de Abril, no 50º da Constituição da República Portuguesa, a desmemória provocada pela recuperação saudosista dum passado nacionalista, que ignora 48 anos de ditadura, doze duma guerra colonial com milhares de jovens, mortos e feridos, em defesa dos interesses dos Mello da CUF, dum Tenreiro, por aí fora.

Tenta-se esconder um passado colonial de esclavagismo selvagem e criminoso em África e no Brasil, estruturado numa acção de roubo e pirataria, na Índia e na Ásia, assente na carne para canhão do português iludido pelos cantos de sereia das especiarias e do ouro, que enchiam os cofres de minorias, cuja riqueza assentava na violência do mais forte.

Sob o manto diáfano dum nacionalismo, a partir do século XVI, assentou a escrita do passado, com a expansão manuelina, no racismo católico e na brancura duma pele, sob a bênção dum Cristo judeu crucificado, que a inquisição peninsular, cada uma a seu modo, impunha numa acção de ódio antissemita: ou crês, ou morres.

Na realidade, gera-se um domínio multissecular, já desde o século XV, duma trilogia clássica: uma corte parasitária e consumista, uma nobreza aristocrática militar elitista e violenta, um clero, regular e secular, controleiro da mentalidade do servo da gleba ou do mesteiral obreiro, como da mulher criada de servir, trabalhadora na terra, parideira da mão d’obra necessária para a continuidade da exploração do império colonial.

Uma excepção, nessa época, que usou o negócio e a usura como forma de superar o tradicionalismo clássico do clero, nobreza e povo: a burguesia. Motivadora do classicismo económico do Império Romano do Ocidente e do racionalismo renascentista, por sua vez defensora duma sociedade liberal, mas onde os direitos da cidadania são acorrentados pelos espigões das grilhetas do lucro forjado pela exploração da força de trabalho, físico ou intelectual, dum proletariado multifuncional.

São, hoje, suas herdeiras, as elites do mundo económico, político, religioso, militar, contemporâneo. É deles o que nos rodeia, na civilização ocidental, na arte, na cultura, na ciência, na técnica, ficando submersa e cada vez menos influenciadora, a revolta operária contra a exploração que a revolução industrial suscitou, que gerou um outro tipo de sociedade, que fascinou e influenciou a humanidade trabalhadora a partir do século XIX.

Só que, por divisionismos e burocracia controleira, a sua influência começou a submergir, no mundo ocidental, ante o ressurgimento autoritário dum neoliberalismo assente no consumo e nos novos contos de fadas da supremacia branca, do nacionalismo colonial, do catolicismo tradicionalista, da desigualdade de direitos homem/mulher, no uso da força como forma de direito de posse.

Basta abrir um qualquer jornal, seguir um dos múltiplos (só na forma, não no conteúdo) canais televisivos, espreitar a diversas redes na internet do telemóvel de bolso, o rosário contemporâneo da religião do espírito de submissão do humano aos dogmas das elites oligárquicas, para se perceber como, no presente, se reescreve a história dos últimos séculos.

Que futuros se vão torneando na argila do oleiro do tempo quotidiano?

Lembrou-me o primeiro estudo que publiquei sobre história concelhia: Torres Novas na Primeira República. Dezasseis anos que tinham desaparecido do passado, mas que faziam parte da minha família, que assentara os seus ideais nos princípios republicanos que o fascismo segregara. Aliás, professor de história, desde 1963 até 1974, nunca o programa da disciplina ultrapassava a revolução francesa, no universal, e no nacional, a reforma pombalina, mas sem uma única referência sobre a inquisição ou a escravatura, tudo lavado pelo TIDE da pátria do S da farda da Mocidade Portuguesa a imitar a fascista de Mussolini e a nazi de Hitler, sob a orientação rural de Salazar e a bênção apostólica do cardeal Cerejeira.

Em que passado queremos colocar as pedras do futuro?

Os museus que temos serão os que merecemos, ou poderíamos, de raiz, pensar num espaço menos burocrático, mais dialogante, com salas do passado e do presente, onde houvesse, além de espaços de exposição e de diálogo, outros de criatividade e de aprendizagem?

Torres Novas sempre se habituou a tratar, de forma enviesadamente elitista, a cultura. Daí a sensação de que o que mexe, o que vale, o que marca, o que se sente, o que cria e constrói, o que falta, fica sempre à margem, numa história que nunca chega a ser um caminho que corresponda aos valores profundos da dinâmica da mentalidade criativa concelhia.

Uma estratégia comercial converteu-se em moda social. Não é propriamente inédito, diversas tentativas de estimular o consumo fizeram-no inúmeras vezes. Refiro-me especificamente à "experiência". Produtizou-se a "experiência" com o intuito de revitalizar turismo, restauração, hotelaria, entretenimento e cultura. (ler mais...)

Constituição. A Constituição portuguesa faz cinquenta anos. Tem marcas da época, isto é, do processo de ruptura com o regime autoritário do Estado Novo e da intensa luta política que se seguiu. (ler mais...)

Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas. (ler mais...)

Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.

Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município. (ler mais...)

Não posso, nem quero, precisar um ponto no tempo para quando se iniciou o processo, mas decorreu algum desde que existe investimento significativo numa engenharia social destinada a politizar o maior número possível de aspectos da vida do cidadão. (ler mais...)

Com alguma atenção, mas um certo sentido de distância, tenho seguido directamente as sessões destes primeiros meses da política municipal da Câmara de Torres Novas, presidida pelo Dr. José Manuel Trincão Marques. (ler mais...)

O interesse do homem pelos movimentos e ciclos astrais é milenar. Por todo o planeta, monumentos e descobertas arqueológicas revelam esse interesse. Primariamente motivados pela passagem das estações do ano, ciclo do qual dependia o sucesso da agricultura, vital para a sobrevivência, até outras previsões, mais ligadas à superstição, embora calculadas por uma protociência baseada essencialmente no registo de acontecimentos coincidentes, por vezes justificados por vezes casuais, retiravam-se interpretações dos tempos por vir. (ler mais...)

Em todos os desastres naturais que têm afectado o território nacional, sem excepção, fazem-se diagnósticos e prometem-se novas atitudes. Isto sejam incêndios, cheias ou inundações ou ondas de calor. (ler mais...)

Lembro-me de que, num passado eleitoral para a Presidência da República, segui, na segunda volta, a proposta de Álvaro Cunhal, para se pôr a cruz no quadradinho de Mário Soares, mesmo que certa esquerda desconfiasse mais deste do que de todos os vendedores da banha da cobra. (ler mais...)


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