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Desenvolver software sem IA não é prudência, é nostalgia

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08.07.2026

Durante décadas, a indústria de software evoluiu por camadas: novas linguagens, frameworks, metodologias, plataformas cloud e formas de automatizar testes, entregas e infraestrutura. Cada vaga prometeu mais velocidade, escala ou eficiência. A inteligência artificial pode parecer apenas mais uma dessas vagas. Não é.

A IA não é apenas mais uma ferramenta no desenvolvimento de software. É uma mudança de paradigma. O erro mais perigoso talvez seja tratá-la como uma nova framework: algo para testar num piloto, entregar a alguns entusiastas e adotar lentamente. É uma abordagem confortável. Mas fica curta.

A IA não muda apenas a forma como se escreve código. Muda a forma como se pensa, desenha, testa, documenta, gere, vende e mantém software. Afeta programadores, analistas, arquitetos, testers, designers, gestores de projeto, equipas comerciais, equipas de delivery e clientes. No fundo, introduz uma nova camada cognitiva em quase todo o processo.

Quem trabalha em projetos de tecnologia sabe que se perde muito tempo entre a intenção e a execução. A IA pode encurtar essa distância. Ajuda a transformar conversas de negócio em requisitos, a testar opções de arquitetura, a gerar casos de teste, a prototipar jornadas, a sintetizar decisões e a rever código. Não elimina o trabalho. Mas muda o ritmo.

Por isso, reduzir tudo ao programador é falhar o essencial. A verdadeira disrupção está em equipas inteiras passarem a operar com outra cadência. O tempo entre uma ideia e uma primeira versão funcional encurta. O custo de experimentar diminui. A qualidade e a........

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