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Portugal está preparado para envelhecer?

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16.09.2026

Portugal conseguiu uma das grandes conquistas do último século: vivemos mais. A questão que se coloca agora é outra e talvez mais difícil: estaremos preparados para viver melhor durante esses anos adicionais?

O envelhecimento da população portuguesa deixou há muito de ser uma previsão demográfica. É uma transformação estrutural do país. Em 2025, o índice de envelhecimento atingiu 188,8 pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 jovens, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Ao mesmo tempo, quem chega hoje aos 65 anos pode esperar viver, em média, mais de duas décadas.

Isto significa que os 65 anos deixaram de representar, para uma parte crescente da população, o início de um curto período final da vida. Podem significar o começo de vinte anos ou mais de participação social, consumo, conhecimento, cuidado, trabalho, aprendizagem e novas necessidades.

É exatamente aqui que Portugal precisa de mudar a pergunta. Em vez de perguntarmos apenas quanto vai custar o envelhecimento, deveríamos perguntar também que economia queremos construir para uma sociedade que vive mais tempo.

Porque envelhecer não é apenas uma questão de pensões. É uma questão de saúde, habitação, mobilidade, mercado de trabalho, tecnologia, urbanismo, cuidados de longa duração, apoio às famílias, formação e qualidade de vida.

O custo de não preparar o futuro

O desafio económico é considerável. A OCDE estima que as despesas relacionadas com o envelhecimento em Portugal possam passar de 23,5% do PIB em 2025 para 27,3% em 2045, considerando pensões, saúde, cuidados de longa duração e outras componentes associadas. Estamos, portanto, perante uma das grandes questões económicas das próximas décadas.

Mas existe um risco na forma como fazemos esta discussão. Se........

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