E quando já não precisarmos de trabalhar?
A questão já não é saber se vamos ou não ser substituídos pela inteligência artificial.
Não todos, não amanhã e provavelmente não da mesma maneira. Aliás, a OIT ainda considera que, nesta primeira fase, haverá muito mais profissões transformadas do que completamente eliminadas. Mas o FMI estima que cerca de 60% dos empregos nas economias avançadas estão expostos à IA. E aquilo que ontem parecia impossível está a acontecer depressa demais para continuarmos a discutir isto apenas como uma questão de produtividade.
A verdadeira pergunta é outra: o que vamos fazer quando uma parte significativa de nós já não for necessária para produzir aquilo de que a sociedade precisa?
O que vamos fazer das nossas vidas?
E, sobretudo, o que vão fazer os nossos filhos e os nossos netos?
Porque construímos praticamente toda a organização da sociedade moderna à volta de uma ideia muito simples: estudamos, aprendemos uma profissão, trabalhamos, recebemos dinheiro e usamos esse dinheiro para viver.
Mas e se partirmos essa corrente?
Se uma máquina produzir o trabalho de dez, cem ou mil pessoas, quem fica com o valor produzido?
A empresa que comprou a máquina?
O proprietário da inteligência artificial?
Pode parecer uma discussão filosófica sobre um futuro distante. Não é. O FMI fala já numa transformação estrutural da economia e alerta para o risco de aumento das desigualdades. A OIT calcula que um em cada quatro trabalhadores do mundo já exerce uma profissão com algum grau de exposição à IA........
