O mérito do F. C. Porto e o aviso para a próxima época
Parece evidente que o F. C. Porto da segunda volta do campeonato é uma equipa distante da qualidade de jogo e até da segurança evidenciada na primeira metade da temporada, quando se impôs como uma lufada de ar fresco e um poderoso rolo compressor diante de todos os adversários. A falta de um ponta de lança matador explica parte das fraquezas evidenciadas na reta final, quando a ineficácia condicionou o jogo coletivo, um pormenor que precisa de ser revisto no próximo mercado de transferências para se evitarem acidentes de percurso.
Depois há um aspeto que pode parecer exagerado, mas tem um peso substancial nas fases decisivas da época, quando se começa a ver a luz ao fundo do túnel e o título vai surgindo como uma imagem mais nítida ou desfocada, dependendo das circunstâncias. Ter na equipa-base muitos jogadores campeões nacionais é uma dose de segurança e ajuda a tirar a ansiedade tão típica de quem quer muito vencer. Olhando para o núcleo duro, só Diogo Costa, Zaidu e Pepê foram campeões pelo F. C. Porto, o que é manifestamente pouco num grupo jovem e sedento de triunfos.
Os dragões estão muito perto de garantir o título, porque fizeram uma revolução no plantel sem perderem a identidade, as raízes e a mística, à custa de um planeamento cirúrgico assente num treinador de qualidade. O mérito é de André Villas-Boas, mesmo que uma pequena franja de adeptos tivesse duvidado da visão estratégica do presidente, por continuar agarrada a um passado que só existe dentro de algumas cabeças. Agora, o presente é o futuro do F. C. Porto.
