O problema não é a IA
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Talvez estejamos a pedir à inteligência artificial que transforme a educação sem primeiro termos coragem de transformar a própria educação.
Escrevo de Nova Iorque, onde decorre esta semana a QS Back to School Summit. Na semana passada estive em Londres, como orador na British Academy of Management. Em dois contextos muito diferentes, a inteligência artificial domina a conversa, mas o tom mudou.
Há menos euforia. Fala-se de pilotos que não saem do piloto, de ganhos abaixo do esperado, de pouca escala e de instituições que multiplicaram ferramentas sem mudar verdadeiramente a forma como ensinam. Quando os resultados não aparecem, surge ainda uma tentação discreta: culpar os alunos. Usam demasiado a IA, usam-na mal, tornam-se dependentes, procuram atalhos.
Há riscos reais, mas esta explicação é confortável. Se o problema estiver no aluno, o sistema pode continuar como estava. E talvez seja precisamente esse o erro.
Estamos a tentar colocar uma tecnologia profundamente transformadora dentro de um sistema educativo que já tinha problemas antes de a IA chegar. Currículos demasiado carregados, avaliação muitas vezes centrada na resposta final, pouca ligação entre disciplinas, modelos ainda excessivamente baseados na transmissão de conhecimento. A IA não criou estes problemas. Apenas os........
