Madeira: uma nova centralidade europeia
No dia 10 de setembro, a Comissão Europeia apresentou a sua nova estratégia para as regiões ultraperiféricas (RUP). Esta estratégia assinala uma evolução que defendo há muito: deixar de olhar para estes territórios apenas como periferias confrontadas com deficiências permanentes, mas sim reconhecê-los como espaços estratégicos para a presença global da Europa, para o seu poder marítimo, para a sua biodiversidade e para as suas relações com África, as Caraíbas, a América Latina e o Indo-Pacífico.
Defendi esta visão muito antes de esta se afirmar no discurso europeu: a visão das RUP como interfaces com o mundo e como atores nos seus espaços regionais. Defendi igualmente uma aplicação plena do artigo 349.º do Tratado: a adaptação das políticas europeias às suas realidades não deve continuar a ser uma exceção ou a ocorrer apenas a posteriori, mas deve ser pensada desde o início.
Com efeito, uma nova geopolítica está a nascer diante dos nossos olhos. Os oceanos estão novamente a tornar-se espaços centrais de poder.........
