A entrevista
– Escrevo menos. Reparo mais.
– E o que reparaste que antes não vias?
– Que a vida acontece sempre nas margens: na cozinha enquanto a sopa ferve, na pausa antes de um adeus, na mão que pousa sobre outra sem pedir licença. Passei anos à procura de grandes histórias. Afinal, elas escondiam-se nas coisas que quase ninguém conta.
– Que quase tudo o que me roubou o sono acabou por não merecer uma única linha da minha biografia.
– O que foi mais difícil?
– Perceber que não podemos salvar toda a gente.
– Ah... o amor deixou de ser um incêndio. Tornou-se uma casa acesa.
–........
