Quanto tempo vale um adeus?
Estou na Madeira e encontrei-me esta semana com uma amiga para um café. Não era um encontro leve, nem daqueles em que se fala da vida entre risos e distrações, em que tentamos resumir numa hora e meia os últimos meses desta a última vez em que nos vimos. Não, este encontro foi diferente. O avô dela morreu na semana passada e eu estava ali apenas para a ouvir.
Ela é madeirense, nasceu e cresceu aqui, mas trabalha há vários anos como enfermeira no NHS, o Serviço Nacional de Saúde no Reino Unido. Está habituada a hospitais. À pressão, aos limites da medicina, ao barulho das máquinas. Está habituada à morte. Talvez por isso o que viveu aqui lhe tenha custado ainda mais a compreender.
Falou-me do avô. Um homem de 95 anos, conhecido no Porto Santo pelos presépios e lapinhas que fazia todos os anos para celebrar a Festa. Daqueles homens que parecem fazer parte da memória coletiva de uma terra. Foi transportado de urgência para o Hospital Dr. Nélio Mendonça,........
