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De repente se vive, de repente se morre

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25.08.2026

A linha de autocarro n.º 2 da Companhia de Transportes Estrasburgueses liga a nossa casa em Estrasburgo (França) ao mundo. Até há algum tempo, pensava que isso assim era porque nos dava a possibilidade de ir até à estação de comboio dessa cidade e, na outra direção, nos deixava às portas da Alemanha, com vista para o Reno e para um país outrora inimigo e que se fez aliado, ainda que com Schengen suspenso. Há dias, entrei no autocarro, a noite já tinha caído, e encontrei a bordo uma diversidade que se fez cidade, ali, à minha frente, — e eu cidadão me confesso —: pessoas que poderiam ser etíopes, paquistanesas, grandes e pequenas; ouvi falar, pareceu-me, russo. Chegado à paragem, desço, e vejo pessoas de religião judaica a falar da rua para a janela — percebo que aquele autocarro havia transformado a rua em janela e a janela em rua e ia assim, quase sem se dar por ele, a transportar a humanidade; de repente, ouço Shabbat Shalom. O que eu teria dado para que alguém tivesse respondido Inch’Allah.

Uma semana depois, também durante o........

© JM Madeira