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O YouTube virou establishment. E agora precisa defender seu status quo

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02.09.2026

Madonna, Jay-Z, Amy Poehler, Sofia Vergara, Shaquille O’Neal e WWE foram algumas das estrelas escolhidas pelo YouTube, em 2012, para impulsionar oentão estreante YouTube Original Channels.

O projeto ambicioso de construir propriedades intelectuais (IPs) de classe mundial capazes de rivalizar com os estúdios tradicionais, como Disney e Marvel, e com os então insurgentes do streaming, Netflix, Amazon Prime Video e Hulu, distribuiu cerca de US$ 100 milhões aos canais parceiros, além de assegurar outros US$ 200 milhões em marketing.

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Três anos depois, Robert Kyncl, então diretor de negócios do YouTube, contratou a veterana da televisão Susanne Daniels para criar uma programação original disponível exclusivamente aos assinantes do YouTube Red, posteriormente rebatizado de YouTube Premium, ao custo de US$ 9,99.

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O projeto não engrenou. O Originals passou a ser exibido gratuitamente com anúncios até que, em 2019, o YouTube começou a abandonar as produções para se concentrar em conteúdo não roteirizado.

Neal Mohan, que assumiu o cargo de CEO do YouTube em fevereiro de 2023, diz que a ideia inicial era impulsionar criadores locais financiando produções de maior orçamento e, depois, compartilhar os lucros.

O que aconteceu, segundo ele, foi que YouTubers populares começaram a produzir conteúdo de alta qualidade, “tão bom quanto qualquer coisa exibida na televisão ou em outros serviços de streaming.”

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A iniciativa desenhada há 14 anos foi “a tentativa do YouTube de se tornar a Netflix”, como cravou Jen Topping.

A comparação com a líder do streaming é proposital e coloca essa história dentro de um contexto maior, marcado pelo que passou a ser descrito pela analista como “The Heated Rivalry of Netflix and YouTube” no cenário pós-2020.

Agora, a frustração acumulada ao longo de mais de uma década desembocou em uma disputa por talentos que tem deixado executivos do YouTube “morrendo de medo” da ofensiva da Netflix por criadores, segundo uma fonte relevante do mercado ouvida por Natalie Jarvey na última semana.

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Uma das principais insiders da indústria aprofundou o furo publicado pela Bloomberg e descobriu que a lista de criadores selecionados pelo YouTube para receber financiamentos de até US$ 10 milhões teria 15 nomes.

O pagamento seria feito de formas distintas. O YouTube discutiu o financiamento direto de determinados programas e também se ofereceu para destinar aos criadores uma parcela de grandes contratos com marcas negociados pela plataforma.

Haveria ainda uma ameaça velada. Levar conteúdo para outra plataforma, especialmente para a Netflix, poderia significar não ser convidado para o palco do Brandcast, o grande evento anual de apresentação de publicidade do YouTube, nem ser promovido em seus outdoors.

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O criador também poderia até ser retirado do programa de publicidade preferencial que a plataforma mantém exclusivamente para um grupo seleto de nomes.

A ofensiva da Netflix trouxe à tona uma metáfora provocadora usada por Ted Sarandos no ano passado, quando descreveu o YouTube como uma “liga menor”, uma espécie de “liga de base”, por meio da qual talentos do entretenimento podem desenvolver ideias antes de crescer e mirar outras plataformas.

Não por acaso, o The Ankler avaliou que as informações reveladas por Jarvey elevam o “death match” entre as plataformas a um novo nível.

O duelo mortal, expressão que aqui não deve ser traduzida literalmente, tampouco se resume à obsessão pela próxima estrela da creator economy. A disputa pelos grandes nomes é a parte mais visível de uma transformação iniciada pelo YouTube depois do fracasso do Originals.

Depois de perseguir Hollywood, o YouTube encontrou um negócio muito mais aderente ao que já tinha construído. A plataforma se inclinou para a distribuição do AdSense e da........

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