Um cabo de guerra bilionário: o que a briga pelo CKD revela sobre o futuro do carro nacional
Quem entra em uma concessionária de marcas novas, daquelas cheias de telas e promessas de autonomia surreais, raramente pensa no que de fato está embaixo da carroceria.
Na verdade, o comprador médio simplesmente não quer saber se a chapa de aço foi moldada no interior paulista ou se chegou em caixas fechadas de um porto asiático.
Mas a Faria Lima e as diretorias das montadoras tradicionais não falam de outra coisa. A briga do momento não é sobre torque ou design, o jogo real é puramente tributário e fabril.
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O embate surdo que corria nos bastidores da indústria escalou para guerra jurídica aberta. A decisão da Anfavea de protocolar uma representação no Tribunal de Contas da União contra a Camex escancarou uma rachadura profunda no setor.
A discussão envolve o que chamaremos de “carro nacional” na próxima década e, principalmente, o nível de subsídio que o governo vai tolerar para quem apenas monta kits importados frente a quem investiu bilhões em complexos industriais reais.
O que mudou na linha de montagem
Para entender a encrenca, é preciso descer ao chão de fábrica. Há basicamente três formas de colocar um carro na rua hoje: o importado puro, que chega pronto (CBU), o regime CKD, no qual o veículo vem completamente desmontado, e o SKD, que é semidesmontado, vindo muitas vezes com a estrutura já soldada e pintada, exigindo apenas a união de suspensão, motor e acabamento em linhas locais muito........
