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Cristianismo, poder e realinhamento civilizacional

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12.03.2026

Especialmente nesse último ano tornou-se evidente que o mundo está passando por um realinhamento geopolítico profundo. A ideia – bastante difundida nas últimas décadas – de que a história havia entrado em uma fase relativamente estável, marcada por globalização econômica, instituições multilaterais fortes e uma ordem liberal internacional praticamente incontestada, está sendo rapidamente abandonada. Conflitos militares, disputas tecnológicas, crises energéticas e reorganizações estratégicas entre potências estão redesenhando o cenário internacional em velocidade impressionante.

O colapso de uma narrativa

A guerra contra o Irã expôs realidades que, durante anos, muitos preferiram ignorar ou minimizar, como a constatação de que existe uma única superpotência militar e econômica com capacidade decisiva no sistema internacional, os Estados Unidos. Ela também evidencia as limitações estratégicas de outros atores globais que projetam mais poder retórico que poder efetivo, como a Rússia e a China. Ao mesmo tempo, decisões políticas recentes dos Estados Unidos vêm contribuindo para redesenhar alianças, reorganizar cadeias de produção e redefinir áreas de influência ao redor do mundo. Em conjunto, esses elementos revelam que estamos atravessando um momento de transição estrutural na ordem internacional.

Durante grande parte do período pós-Guerra Fria, acreditou-se que as nações caminhavam inevitavelmente para uma integração cada vez maior. Universidades, organizações internacionais e boa parte da elite cultural ocidental repetiam a narrativa de que a democracia liberal e a economia globalizada haviam se tornado o destino da história política humana. A ordem internacional seria administrada por instituições multilaterais, tratados comerciais e organismos internacionais capazes de arbitrar conflitos e manter estabilidade global.

A realidade, porém, demonstrou que essa visão era excessivamente otimista. O fortalecimento de regimes autoritários e totalitários e o crescimento de conflitos ideológicos e militares mostraram que a história não havia terminado. Ao contrário, novas rivalidades emergiram e velhos conflitos reapareceram sob formas diferentes.

Cristãos biblicamente fiéis estão se tornando cada vez menos bem-vindos nas instituições dominantes da cultura contemporânea

Cristãos biblicamente fiéis estão se tornando cada vez menos bem-vindos nas instituições dominantes da cultura contemporânea

Ao mesmo tempo em que essa reorganização ocorre no plano geopolítico, o próprio Ocidente atravessa uma crise cultural profunda. Muitas das instituições que tradicionalmente moldaram a vida intelectual e moral das sociedades ocidentais, tais como universidades, meios de comunicação, corporações, centros culturais e até algumas igrejas, passaram a adotar concepções antropológicas radicalmente diferentes da tradição judaico-cristã que historicamente sustentou a civilização ocidental.

Questões relacionadas à natureza humana, ao significado do corpo, à definição de família e à estrutura da sociedade tornaram-se campos de intensa disputa cultural. Aquilo que durante séculos foi considerado parte do consenso moral básico das sociedades ocidentais passou a ser reinterpretado,........

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