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O que a república brasileira precisa aprender com Maquiavel

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08.04.2026

Há um problema que toda teoria da democracia tenta resolver antes de admitir que existe: o problema do tempo. Uma república livre pode durar? A liberdade política tem condições de sobrevivência ou carrega, desde o início, o germe da própria dissolução? O grande historiador político J.G.A. Pocock fez dessa pergunta o centro de sua vida intelectual. O seu The Machiavellian Moment, publicado em 1975, é um dos livros mais ambiciosos da filosofia política do século 20 e ainda hoje ignorado pela maioria dos que opinam sobre democracia, principalmente no Brasil.

O argumento central de Pocock começa com Aristóteles, passa por Maquiavel e desemboca nos fundadores da república americana. O fio condutor é filosófico, e vale a pena segui-lo com atenção. Toda república – toda ordem política fundada na participação dos cidadãos e na lei comum – existe no tempo. Ela nasceu, tem uma estrutura presente e vai, inevitavelmente, declinar. Os gregos chamavam esse declínio de phthora, a “corrupção”, a deterioração das formas políticas. O problema é ontológico, não exatamente de caráter: toda forma política carrega, na sua estrutura, a condição do que perece.

A virtù que sustenta a república é uma inteligência prática, e práticas se perdem quando não se praticam. O mercado, sozinho, não forma cidadãos

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