Uma reforma lenta e demorada: o remédio que chega depois da hora
A 1 de setembro de 2026, a administração Trump anunciou mais nove acordos com empresas farmacêuticas para baixar preços de medicamentos nos Estados Unidos, elevando o total para 26. Os acordos de most-favored-nation (MFN) – expressão aqui usada para designar os compromissos bilaterais entre a administração americana e empresas farmacêuticas, pelos quais estas se comprometem a baixar os preços nos EUA com referências europeias e a investir em produção em solo americano, em troca de isenções tarifárias - já não se limitam às grandes multinacionais.
Empresas de média dimensão estão a aderir. Pelo menos 19,6 mil milhões de dólares em investimento em novas instalações foram prometidos em solo americano, segundo a Casa Branca. A mensagem é clara: Washington quer a indústria farmacêutica em casa e está disposta a pagar por isso.
Se as empresas conseguem margens mais elevadas nos Estados Unidos e encontram aí melhores incentivos para investir, que motivos terão para fazer da Europa o primeiro destino dos novos medicamentos ou mesmo para os lançar no mercado europeu? Os dados da própria Agência Europeia de Medicamentos já apontam para uma quebra no número de pedidos de autorização de comercialização de medicamentos em 2026. É cedo para concluir que se trata de uma tendência estrutural, mas a direção é inequívoca
As ciências da vida têm um peso significativo na economia europeia. Em 2022, estes setores empregavam cerca de 29 milhões de pessoas e geravam €1,5 biliões em valor acrescentado - o equivalente a 9,4% do PIB da União Europeia, segundo um estudo do Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia. Estes dados sustentam a Estratégia para as Ciências da Vida apresentada pela Comissão em julho de 2025.
A Europa investiga, publica e forma ao nível dos........
