O mal que Delors nos fez
Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia quando Portugal aderiu à CEE, disse um dia que Portugal era o “bom aluno europeu”. Cavaco Silva, primeiro-ministro à época, garante que a frase queria dizer que o país “tinha sabido ultrapassar as desconfianças e era considerado, unanimemente, como um parceiro sério, estável, solidário (que) participava na integração europeia como se tivesse sido um dos seus fundadores”. O ex-Presidente também reconhece que a frase foi “feliz, mas não raro mal interpretada”. Cavaco terá razão quanto às intenções de Delors mas, e por muito que o lamente, também tem razão quanto à interpretação que prevaleceu.
Durante décadas, já lá vão quatro desde a adesão, o país convenceu-se de que Portugal cumpria o que a Europa esperava de nós e em contrapartida recebia fundos. Foi esse o nosso principal consenso europeu dos últimos 40 anos. E esse é um dos males europeus de que apenas nós somos culpados. O mal que Delors nos fez fomos nós que nos fizemos.
Cavaco tem razão. Delors queria dizer aos outros europeus que a nossa adesão não era favor nenhum. Nós interpretámos com modéstia, como se fosse........
