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Querem mesmo falar de transparência e corrupção? Vamos lá então…

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07.05.2026

Na cerimónia do 25 de Abril, o deputado Pedro Delgado Alves (PDA) resolveu ofender o parlamento e a democracia ao levantar-se e virar as costas a todo o hemiciclo e ao país.

Não o fez como discordância com o que havia falado do presidente da Assembleia da República, fê-lo por impertinência, por cabeça perdida e, mais grave, porque ele acha que o lindo serviço que andou a fazer, com outros, na última década e meia, nesse tal pacote sobre “transparência”, é infalível e todos os que o contestam são gente obscura que anda pelos negócios e convive com a corrupção.

PDA, por temperamento, relaciona-se com reduzida gente, conhece pouco do mundo e do país. Garantido como vice-presidente permanente do Grupo Parlamentar do PS, meteu um conjunto vasto de ideias na cabeça que tenta impor a milhares de pessoas que se dedicam, com elevado sentido ético, ao serviço público. O PS, onde parece não haver figuras que se ofereçam ao trabalho na comissão parlamentar que trata do estatuto do deputado e, por alastramento, dos “políticos”, deu-lhe campo aberto para propor, para negociar, para acordar por detrás do pano, fazendo de cada iniciativa uma inevitabilidade.

Eu quero dizer a todos os portugueses uma coisa simples – nenhuma lei aprovada pelo parlamento sobre transparência melhorou a nossa realidade pública, nem permitiu ao Ministério Púbico apanhar um corrupto que fosse. Fez mais por esse desafio coletivo o Correio da Manhã, do que fizeram as normas copiadas de outros países que PDA plasmou no direito interno.

E mais, a lei do lobby é outro “aborto” que não vai resultar em nada. PDA desconhece que, num país piqueno como é o nosso, não vamos ter qualquer registo do deputado ou o diretor geral a dizer quem encontrou no café por acaso… Basta ver a ineficácia do regime de hospitalidade para se antecipar o sucesso do combate ao lobby ilegal.

O parlamento andou às voltas com a construção de uma gaiola onde se colocaram todos os cargos públicos. Os legisladores são tão ingénuos que acham que os corruptos encartados se esquecem de ter tudo certinho nas declarações, que acreditam que eles não sejam os primeiros a declarar o que há de conhecido. O problema é que........

© Expresso