Democracia, Oligarquia, BETs e Copa do Mundo
O historiador Matt Simonton, autor de dois livros sobre as primeiras formas de democracia na Grécia Antiga e o papel das oligarquias, publicou, recentemente, um artigo no Project Syndicate em que mostra as similaridades dos movimentos cíclicos da política e das formas de poder econômico que os sustentam e os tornam cada dia mais dissecados. Na era das IAs, das BETs escancarando a fragilidade do fair play na Copa do Mundo e dos ditadores democráticos, a relação dos oligarcas ou dos detentores do capital torna-se mais aviltante. E a dívida cresce!
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Simonton, em sua obra “Oligarquia grega clássica”, narra como as oligarquias sobreviveram e caminharam lado a lado com o regime político democrático, mesmo sendo um “governo de poucos” e com elevada resistência por parte da maioria da população. Na visão do autor, as oligarquias criam instituições e arranjos políticos com o objetivo de (i) prevenir a ação coletiva por meio de recompensas para informantes, repressão direcionada e controle do espaço público, bem como (ii) manter a coesão e a cooperação dentro do próprio grupo oligárquico.
Sobrevivem à impopularidade adotando estratégias de cooptação de oponentes e criação de sistemas de informantes para semear desconfiança; criação de regras que restringem o acesso ao poder – na Grécia Antiga, limitada a 10-15% da população masculina mais rica; e apoio de aliados estrangeiros – na Grécia Antiga, os espartas. Embora Simonton argumente que a oligarquia tenha perdido a batalha ideológica para a democracia em termos de legitimidade política, eu ousaria dizer que seu modus operandi, por trás dos bastidores, permanece intacto.
Em seu artigo datado de 01/07/2026, no Project Syndicate, Simonton faz interessante digressão sobre a história da oligarquia e da inspiração grega para a formulação da Constituição dos Estados........
