Encontrei uma padaria que mais parece um 'templo' de carolinas
Em janeiro, tive que ir dois fins de semana seguidos a Jundiaí, no interior de São Paulo. Mesmo quando a viagem não tem nada de gastronômica, dou um jeito de me satisfazer pela boca. Tomar café da manhã em padaria para mim é sempre uma boa pedida e encontrei uma brecha para fazer isso lá. Escolhi o destino na sorte, sem nem longe imaginar que chegaria a um templo de carolinas.
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Era uma padaria de bairro, com aquele movimento esperado de quem acorda cedo para comprar pão ou comer um lanche rápido. Na vitrine, me chamou a atenção uma enorme sequência de pequenas bolinhas cobertas com chocolate. Estavam na prateleira que fica mais ao alcance dos olhos, cada uma com uma plaquinha informando seu recheio. Rodei o pescoço de um lado para o outro várias vezes para processar minha descoberta: estava diante de uma padaria especializada em carolinas.
Carolina é o nome que o profiterole francês ganhou quando chegou ao Brasil. Muito mais interessante, diga-se de passagem. Não se sabe ao certo o porquê, mas acho poético acreditar que tem a ver com um dos seus significados: mulher doce. Isso me fez lembrar que, quando era pequena, não gostava do meu nome. Queria ter um nome comum, tipo Juliana – era o que dizia para a minha mãe. Hoje, não só gosto do meu nome, como acho fofo o seu significado: filha do céu.
Dizem que os profiteroles são uma invenção do chef italiano Penterelli (não encontrei por nada o primeiro nome dele), por volta de 1540, na França. Ele era o confeiteiro de Catarina de Médici, que se mudou da Itália para a França para se tornar rainha, e essa receita teria sido criada para agradá-la. O nome profiterole vem da palavra francesa “profit”, que significa pequeno ganho ou recompensa.
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Na verdade, Penterelli criou um novo tipo de massa, a pâte à choux, que aqui chamamos de massa choux, a mesma das éclairs (ou bombas), choux cream (versão japonesa, maior e com craquelin, cobertura crocante) e outras receitas. Essa massa tem algumas particularidades: ser cozida duas vezes (no fogo e no forno), crescer sem o uso de fermento e ficar oca por dentro, onde o recheio se encaixa perfeitamente.
Seja profiterole ou carolina, a massa continua a ser a mesma. O que muda (como sempre acontece quando importamos uma receita) é o que fazemos com ela. E brasileiro sabe como ninguém usar a criatividade para não ficar na mesmice. Se lá na França o profiterole é recheado com creme confeiteiro, sorvete de baunilha ou, no máximo, chantili, aqui a conversa é outra. Voltando à padaria de Jundiaí, encontrei carolinas de tudo quanto é sabor: doce de leite, paçoca, avelã, limão, brigadeiro, coco...
Sem querer arriscar muito, fiz uma compra tímida: pedi duas de paçoca. Comi quando estava na estrada, dirigindo de volta para Belo Horizonte. Sabe quando você experimenta sem nenhuma expectativa? Foi exatamente o que aconteceu. Dei uma mordida desconfiada, receosa de me decepcionar, e de repente minha boca se alegrou com um recheio envolvente, bem cremoso, doce na medida certa e com muito sabor. Queria mais. Só acho que o chocolate da cobertura pode ser de melhor qualidade.
No fim de semana seguinte, lá estava eu de volta ao balcão daquela padaria, ávida por mais carolinas. Daquela vez, não medi o desejo, aliás, exagerei: comprei uma de cada sabor. Só que nenhuma outra conseguiu replicar o que senti quando comi o doce pela primeira vez. Fiquei pensando em como a comida tem o poder de marcar momentos e criar memórias que ficam guardadas por toda a vida.
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Apesar de todos os perrengues, essas viagens ficaram marcadas pelas carolinas. Sonho com o dia em que voltarei a Jundiaí para comer aquela massa com recheio de paçoca e cobertura de chocolate.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
