Né possível!
Cada dia fico mais surpreso com este país. Para o bem e para o mal. Desta vez, o palco foi nada mais nada menos que o púlpito da ONU, organismo criado depois de duas guerras justamente para evitar que a loucura humana produzisse a terceira. Estamos quase lá.
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De um lado, vimos nosso presidente dar um show de lucidez, falando de paz e de harmonia entre os povos, da gente que precisa comer e da gente que não precisa matar para comer. Discurso de estadista e, por que não dizer, de cristão — dos que leram o Sermão da Montanha inteiro, e não só o versículo que convém.
Do outro lado, o presidente da nação mais poderosa militarmente do planeta desfilou arrogância e truculência. Ameaçou vizinhos, ameaçou o mundo, ameaçou até o ar-condicionado do plenário. Faltou apenas a braçadeira no ombro. E aqui entra o meu espanto, que resumo como se resume em Minas, com um suspiro: “Né possível!”. Né possível que as pessoas não estejam vendo que esse pode ser o nosso verdadeiro presidente nos próximos anos — por procuração.
As eleições do próximo domingo podem entregar de bandeja ao senhor da guerra a nossa soberania, a nossa dignidade e, de brinde, as terras raras, o nióbio, a Amazônia e o que mais ele mandar buscar. Com laço de fita e porteira aberta pra passar a boiada.
Vocês podem estar se perguntando o que isso tem a ver com o Bem Viver, este cantinho do jornal onde costumo falar de vacina, de febre, de mosquito e, vez ou........
