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Voluntariado e assistência depois da dor: quando solidariedade também cura

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03.04.2026

Quando uma tragédia acontece, como uma enchente, um deslizamento, um incêndio ou qualquer evento que desorganize a vida de uma comunidade — a primeira imagem que surge é a da perda. As casas destruídas, famílias desalojadas e histórias interrompidas. Contudo, quase sempre, logo depois da dor aparece outra cena profundamente humana: pessoas ajudando pessoas.

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Voluntários chegam com alimentos, roupas, água, abrigo e, muitas vezes, algo ainda mais valioso — presença e escuta. 

A verdade é que, do ponto de vista da neurociência e da psicologia social, esse movimento de solidariedade não é apenas um gesto moral ou cultural. A ação também possui uma dimensão biológica e emocional importante. O cérebro humano é profundamente social. 

Diversos estudos demonstram que comportamentos altruístas ativam áreas cerebrais associadas ao sistema de recompensa, liberando neurotransmissores, como dopamina e oxitocina, substâncias ligadas à sensação de bem-estar, conexão e confiança. Ser voluntário significa que ajudar também transforma quem ajuda. 

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Para quem recebe apoio em momentos de grande sofrimento, o impacto é igualmente profundo. Após experiências traumáticas, uma das maiores ameaças à saúde mental é a sensação de abandono ou desamparo. Quando a comunidade se mobiliza, o cérebro começa lentamente a reconstruir a percepção de segurança. O processo é fundamental para a recuperação emocional. 

Em muitas situações de desastre, os voluntários acabam desempenhando um papel além da assistência material. Eles se tornam pontes de esperança, lembrando às vítimas que, apesar da perda, elas continuam pertencendo a uma rede humana que se importa. Entretanto, também é importante reconhecer que o voluntariado precisa ser organizado e responsável. 

A assistência após tragédias exige coordenação, respeito às necessidades reais das comunidades e, sempre que possível, integração com equipes técnicas e serviços públicos. A solidariedade é mais eficaz com planejamento.

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Outro aspecto, ainda pouco discutido, é o cuidado com os próprios voluntários. As pessoas que atuam diretamente em cenários de sofrimento intenso experimentam desgaste emocional significativo. Por isso, também precisam de apoio, orientação e momentos de descanso. Cuidar de quem cuida é parte essencial do processo.

A história das comunidades deixa claro que, após grandes perdas, não é apenas a infraestrutura que precisa ser reconstruída. É preciso reconstruir vínculos, dignidade e esperança. E, muitas vezes, é justamente o voluntariado que abre esse caminho. 

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Afinal, depois da dor, quando alguém estende a mão para ajudar, não está apenas oferecendo recursos, mas lembrando que a humanidade ainda é capaz de se reconhecer no sofrimento do outro e de transformar solidariedade em força coletiva para recomeçar.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.


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