A Europa não pode combater os incêndios florestais sem os seus agricultores
Todos os verões, a Europa assiste ao desenrolar da mesma tragédia. Pessoas perdem a vida. Famílias são forçadas a abandonar as suas casas. Bombeiros arriscam tudo. Florestas ancestrais são reduzidas a cinzas. Perde-se para sempre uma biodiversidade única. Inúmeros animais selvagens perecem nas chamas. Os agricultores assistem impotentes à destruição, pelo fogo, dos seus campos, dos seus animais de criação e dos meios de subsistência construídos ao longo de gerações. Quando a Europa perde explorações agrícolas devido aos incêndios, diminui também a sua capacidade de produzir alimentos, preservar as comunidades rurais e reforçar a resiliência climática para o futuro.
E todos os verões colocamos a mesma questão: como foi possível que isto acontecesse novamente?
A resposta é incómoda. A Europa tornou-se muito eficaz na resposta aos incêndios florestais. Mas continua aquém do necessário na sua prevenção.
Os recentes incêndios em França, Espanha, Grécia e noutras partes da Europa não são tragédias isoladas. São sintomas de um continente que vive uma nova realidade climática. As ondas de calor são cada vez mais frequentes, as secas mais prolongadas e as épocas de incêndios mais longas do que nunca. Os cientistas alertam-nos para isso há anos. Hoje, as chamas confirmam esses alertas com uma clareza devastadora.
As alterações climáticas estão a acelerar a crise dos incêndios florestais. Mas o........
