Por Entre Linhas e Ideias
Já reparou, caro leitor, na superioridade filosófica de um gato deitado ao sol? Falo do meu gato, branco com manchas castanhas, que parece sábio quando não faz absolutamente nada. Digo isto com a seriedade possível de quem observa, todos os dias, uma pequena criatura a habitar o mundo com uma tranquilidade que nós, humanos apressados, tantas vezes perdemos. Quando repousa, repousa mesmo. Não descansa a pensar nos e-mails, nas mensagens ou na reunião agendada. Está ali, sem pressa e sem alvoroço, como se não houvesse mais nada a fazer.
Confesso-vos que tenho inveja dos gatos. Não da ração, nem da mania de ocuparem o melhor lugar do sofá, mas da sua serenidade. Há no olhar de um gato uma espécie de desprezo tranquilo pelo excesso de importância que damos a tudo. Enquanto nós andamos presos ao trânsito, ao trabalho, às comparações e à ansiedade de imaginar desgraças que talvez nunca aconteçam, ele muda de posição, espreguiça-se e continua a existir.
Há nisto uma lição estoica, mesmo que o gato nada........
