Podemos ver a morte. Só não podemos falar dela
Há qualquer coisa de estranho na forma como se lida com a morte. Diz-se que é um assunto mórbido, evita-se falar sobre ela e, quando alguém morre, procuram-se palavras mais suaves: “partiu”, “deixou-nos”, “foi para um lugar melhor”. Depois, ligamos a televisão e vemos filmes de terror, séries policiais, assassinatos, corpos, sangue. Lemos notícias sobre pessoas que foram esfaqueadas, baleadas ou encontradas mortas. Queremos saber onde aconteceu, como aconteceu, quem foi, porquê. Percebo, afinal, que se fala de morte. O que muda é o lugar onde aceitamos vê-la.
Conseguimos olhar para a morte quando aparece como ficção, crime ou espetáculo. O que parece ser mais difícil é olhar para a morte enquanto parte da vida: a morte de alguém que envelheceu, depois de uma doença prolongada ou simplesmente porque somos seres finitos.
A morte de alguém........
