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A urgência da ação e a premência da execução

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22.03.2026

Porque se tornou urgente a ação e a execução dos projetos pendentes em Braga, quando se acumulam problemas estruturais que continuam por resolver ao nível Ambiental?

O caso da ETAR do Este é paradigmático. Trata-se de uma infraestrutura essencial para a qualidade ambiental, para a saúde pública e para a proteção das linhas de água. Há anos que se fala da sua necessidade, dos atrasos, dos entraves, das promessas sucessivamente adiadas. Entretanto, as populações continuam a lidar com as consequências de uma solução que tarda em concretizar-se. O ambiente não se protege com anúncios, mas sim com obras feitas e problemas resolvidos.

Também na questão dos resíduos sólidos urbanos subsiste uma ausência preocupante de estratégia. Braga continua sem uma solução estrutural e clara para o destino final dos resíduos, num contexto em que o modelo de aterro está sob crescente pressão ambiental e regulatória. O adiamento de decisões estruturantes não elimina o problema; apenas o empurra para o futuro, tornando-o mais caro e mais difícil de resolver.

No quotidiano, os sinais de fragilidade e as queixas também são visíveis. A varredura e limpeza urbana nas freguesias periféricas são manifestamente deficitárias. Há uma perceção crescente de desigualdade territorial na prestação deste serviço essencial. Uma cidade ambientalmente responsável não pode limitar-se ao centro urbano mais visível; tem de garantir padrões de qualidade homogéneos em todo o concelho.

A implementação da recolha de biorresíduos, que poderia representar um avanço significativo na transição para uma economia mais circular, tem sido marcada por dificuldades operacionais. É urgente a divulgação de um plano rigoroso com metas bem claras, e a implementação de ações capazes de atrair os munícipes a aderir a mais uma recolha seletiva. Quando a logística falha, a adesão das pessoas diminui e perde-se credibilidade numa política que exige precisamente confiança e consistência.

No domínio da energia e da mobilidade sustentável, também faltam respostas. Não há novidades concretas quanto à anunciada concessão para instalação de painéis solares em edifícios municipais, medida que poderia reduzir custos energéticos e afirmar um compromisso claro com a transição energética. O mesmo sucede com a concessão dos novos pontos de abastecimento para veículos elétricos. A mobilidade elétrica cresce, mas a infraestrutura pública não acompanha ao ritmo necessário.

Braga recebeu recentemente mais um prémio na área do ambiente. É sempre positivo que o nosso concelho seja reconhecido. A valorização externa projeta a cidade, reforça a sua imagem e pode atrair investimento. Mas importa fazer uma pergunta simples e honesta: este reconhecimento corresponde à realidade que os bracarenses vivem todos os dias? Porque, no fim do dia, os bracarenses não vivem de prémios. Vivem da qualidade do ar que respiram, da água que corre nos seus rios, da limpeza das suas ruas e da eficácia dos serviços públicos que utilizam.

Não se trata de desvalorizar o trabalho feito nem de negar avanços pontuais. Trata-se, sim, de recusar o amorfismo e a inércia. Um galardão não substitui uma política pública eficaz, coerente e mensurável.

Braga tem condições para ser uma verdadeira referência ambiental: dimensão adequada, capacidade técnica, tecido académico forte, cidadãos cada vez mais conscientes. Mas para isso é preciso mais do que narrativas bem construídas. É necessário planeamento rigoroso, transparência nas decisões, cumprimento de prazos e prioridade clara às infraestruturas críticas.

A política ambiental faz-se menos de cerimónias e mais de execução. Menos de marketing e mais de gestão. Menos de distinções e mais de resultados.

E é com ação e execução que verdadeiramente se distingue uma cidade sustentável.


© Diário do Minho