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Os Largos

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01.09.2026

 Antigamente, ainda não muito, havia os largos. Cada aldeia, cada vila, cada cidade e cada país tinha o seu largo, isto, obviamente, podendo considerar-se que, num determinado país, poderia haver mais do que um. Desde as primeiras cidades, desde as primeiras urbes criadas na Mesopotâmia e na Grécia, muitos anos antes de Cristo, muitos mais do que depois Dele para cá, os cidadãos começavam por construir um templo, um edifício do Poder comum e oficial, exercido pelos poucos escolhidos ou impostos, e tudo o resto florescia em círculo a partir desse núcleo. 

O crescimento era feito de forma centrífuga, dando lugar a aglomerados construídos ao redor, mas sempre com a influência de forças centrípetas que faziam com que tudo confluísse para o centro. O largo criado em volta do largo sugava para dentro de si todas as pessoas que viviam ou que estavam ocasionalmente na cidade, chamada Pólis pelos sábios gregos que nos legaram boa parte das estruturas da nossa civilização.

Por essa via, e durante séculos, se foi criando e fortalecendo a noção de pertença e as competências da cidadania, com direitos e com deveres. Os humanos elevam-se — e elevam-se muito — para além do básico e material, sentem necessidade de, individualmente, se identificarem com um coletivo efetivo ou simbólico e, por isso, arranjaram e arranjam símbolos unificadores que permitem a noção de grupo, conforme as ideias, os desejos, as raivas e os objetivos, derivadamente disso, comuns. O simples facto de se passar ou de se parar no largo era o........

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