ONU: um novo secretário-geral num mundo em fragmentação
O Conselho de Segurança das Nações Unidas inicia na próxima semana uma nova fase do processo de escolha do próximo secretário-geral. O voto será informal e cada candidato terá uma de três respostas: encorajamento, desencorajamento ou sem opinião. O processo decorre num contexto internacional marcado por fragmentação política, rivalidades estratégicas e crescente descrença na capacidade das instituições multilaterais para responderem aos grandes problemas comuns. O sucessor de António Guterres não herdará apenas uma agenda carregada de crises. Herdará, sobretudo, a tarefa de fazer reconhecer que os desafios globais só podem ser enfrentados com algum grau de cooperação coletiva.
Durante décadas e até ao início deste século, existiu um entendimento mínimo em torno da necessidade de uma agenda internacional de desenvolvimento partilhado. Esse espírito esteve presente nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (2000), e voltou a manifestar-se, com maior ambição, nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (2015). Hoje, porém, esse consenso perdeu vigor. A retórica da cooperação permanece, mas a ação política que a sustentava encontra-se profundamente enfraquecida.
Há três fatores que ajudam a explicar esta deterioração.
O primeiro é a intensificação da competição entre as grandes potências. Desenvolvimento, infraestruturas, tecnologia e governação global deixaram de ser apenas domínios de cooperação; tornaram-se também instrumentos de poder. Os Estados mais preponderantes disputam hoje normas, mercados, dependências estratégicas e espaços institucionais. O Conselho de Segurança, que deveria ser o principal lugar de........
