menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Empresas cheias de trabalho não fazem necessariamente uma economia produtiva

23 0
31.07.2026

A produtividade voltou ao centro da conversa pública. E bem. Mas a discussão continua a começar quase sempre no mesmo lugar: dimensão das empresas, capital, tecnologia, burocracia e qualificações. Tudo isto pesa. Mas uma empresa pode trabalhar mais, vender mais, exportar mais e continuar com dificuldade em transformar esforço em riqueza acumulada. Às vezes, o problema não está apenas nos meios de que dispõe, mas no trabalho a que os dedica.

No entanto, há uma parte do problema que continua demasiado ausente. Falamos da produtividade como se ela fosse apenas consequência das condições externas em que as empresas operam. Não é. Uma parte da produtividade decide-se dentro das empresas, quando escolhem a que clientes vender, que encomendas aceitar e que complexidade oferecer sem preço correspondente, antes da produção, antes da entrega, antes da fatura e antes de a margem ficar comprometida.

A ligação entre o problema nacional e a decisão de empresa é esta: uma economia torna-se mais produtiva quando cria mais valor com recursos escassos. Os indicadores agregados escondem milhares de decisões sobre onde são gastos trabalho, capital e atenção de gestão. Pessoas qualificadas, máquinas, capital, tempo de gestão e relações comerciais são recursos escassos. Se forem gastos em trabalho que ocupa muito, paga pouco, aumenta dependência e deixa pouca margem para investir, a produtividade não melhora apenas........

© Diário de Notícias