Portugal, a IA e uma transição estrutural na educação
Estamos no dealbar de uma nova era, com uma importante mudança de paradigma: deixámos de usar máquinas para nos ajudarem a construir o mundo e passámos a usar máquinas que nos ajudam a pensar o mundo.
A inteligência artificial (IA) não é apenas uma ferramenta nova; ela é o que os economistas chamam de tecnologia de propósito geral (GPT), comparável à eletricidade ou à máquina a vapor. A sua profundidade reside no facto de não automatizar apenas tarefas físicas, mas sim a própria cognição e a tomada de decisão.
Mais que uma mudança tecnológica, a nova era de IA vai promover uma transição estrutural nas nossas sociedades europeias. Uma mudança tecnológica melhora a eficiência (ex: um software de contabilidade mais rápido). Uma transição estrutural altera a base da organização social e económica:
· Dissociação entre trabalho humano e inteligência: Historicamente, a inteligência exigia a presença humana. A IA permite que a inteligência seja escalada infinitamente sem a necessidade proporcional de biologia humana.
· Mudança na epistemologia: A forma como descobrimos novos conhecimentos (na ciência ou na medicina) está a mudar do método de “tentativa e erro” humano para a simulação e previsão por dados.
· Velocidade de evolução: Ao contrário de revoluções anteriores que levaram décadas para se difundir, a IA escala globalmente em meses – por vezes semanas – a uma velocidade tal que não permite sequer que as instituições sociais (leis, educação) se adaptem ao ritmo tradicional.
Vamos focar-nos na transição estrutural na educação trazida pela IA.
Uma política educativa estratégica e holística: É crucial aumentar a literacia digital e em IA desde o ensino básico. Não se trata apenas de ensinar a programar, mas de compreender a lógica dos algoritmos e o funcionamento dos modelos de linguagem, integrando a resolução de problemas lógicos (pensamento computacional) no currículo de forma transversal e ensinar os alunos a validar fontes, identificar vieses em IA e compreender as implicações éticas da automação.
É importante também a promoção das “aptidões centradas no humano”. À medida que........
