Mário Cláudio. Suicídios e Portugal: um tríptico do mal
Carlos Relvas, Ofélia Marques e José Corrêa d’Oliveira são, mais do que personalidades de uma história cultural, alegorias de uma certa forma de a vida planear e sobrepor-se às decisões e às vontades dessas pessoas que existiram. Nesse sentido serão prosopopeias ou alegorias do fracasso ou do suicídio - tem-se insistido ser esse o fio condutor deste tríptico anguloso, enigmático -, ou tão-só símbolos de algo mais vasto: Portugal e a sua atmosfera asfixiante, mental, porque é num quadro mais vasto de questões sociais e políticas que este livro de Mário Cláudio submete à leitura do leitor participativo a sua avaliação. Não se trata, como o autor de Amadeu tanto gosta e propõe, de conceber um livro à luz da lógica do tríptico, porque há no tríptico esse convite maneirista da leitura. Que Mário Cláudio, autor culto, de vasta curiosidade intelectual, joga com essa chave interpretativa (o romance ou a novela, enfim, a arte narrativa, pode colher na arte, em especial na pintura ou no cinema, muitas das suas actuais conquistas formais), eis o que não oferece dúvidas. E assim quer Carlos Relvas, quer Ofélia Marques, quer ainda José Corrêa d’Oliveira serão ainda outra coisa: quadros mentais portuguesmente definidos.
Num país de suicidas, ou de suicidados, serão retratos da existência lusa, isto é, formas de colocar em andamento uma releitura de Portugal que é actual porque neste país se mata e se morre, quantas vezes, da forma mais ínvia. Uma chave de leitura estará numa sequência final de “A Gôndola........
