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Amália, David e Pedro Homem de Melo: Uma trindade poético-musical

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03.08.2026

Para o David Ferreira.

O título deste livro coloca, desde logo, o leitor em face de uma instigante santíssima trindade da poesia e da arte: Pedro Homem de Mello (1904-1984), Amália Rodrigues (1920-1999) e David Mourão-Ferreira (1927-1996). Uma trindade das artes, posto que estas três personalidades de proa da cultura portuguesa do século XX (sendo Amália, de entre as três, uma presença de recorte internacional), entre si, tenham trocado cumplicidades várias, afinidades diversas, com uma tónica especial no que aos cruzamentos entre a poesia e a música respeitam.

O próprio Pedro Homem de Mello se definirá um dia com modéstia: “O nosso tributo de Poeta resume-se, apenas, à técnica e a factores ligados à música, à dança e ao convívio com o povo”, somando, a estas palavras humildes, outras: “[a minha poesia] é a revelação daquilo que tantas vezes o seu autor ignora.” Logo, a criação poética é, em Homem de Mello, vista pelo prisma da criação que está para além da vontade autoral e se cumpre plenamente como expressão de um eu que tem, da poesia, a certeza de que ela é um acontecimento, uma forma de epifania.

O mesmo se poderá dizer de Amália e de David que, vistos pelo autor deste livro, não podem ser compreendidos se desvinculados desse sendal de mistério que a poesia sempre tem.

Não é de somenos começarmos por aqui, agora que lemos este livro de Rui Martins Ferreira, posto que o autor, também ele um amante da poesia e da música, um conhecedor profundo de Amália e dos mistérios e fascínios do Fado como expressão poético-melódica, igualmente tenha o cuidado de, em quatro capítulos, percorrer, de forma atenta e harmoniosa, os vários cambiantes das poéticas de dois autores centrais da nossa poesia de novecentos. Esse percurso de leitura faz-se em permanente viso intertextual que depende do modo como, criticamente, Rui Martins Ferreira........

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