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O purgatório da AD

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03.07.2026

Dante imaginou o Purgatório como uma montanha de expiação: cada terraço com o seu pecado, a sua pena, a sua lição. Já não é o Inferno, mas ainda está longe do Paraíso.

É esta a imagem que melhor descreve o Governo de Luís Montenegro. A AD prometeu competência, estabilidade e uma vida melhor para os portugueses. Dois anos depois, o balanço faz-se sobretudo pelos pecados políticos entretanto acumulados.

Soberba. A AD chegou ao poder convencida — e a tentar convencer os portugueses — de que a simples alternância bastaria para o país funcionar melhor. Essa foi a sua principal soberba: tomar a vitória eleitoral como prova de competência, como se a saída do PS e a entrada da AD corrigissem por si só problemas antigos. Como se governar se reduzisse apenas à simplória ideia de escolher entre competentes e incompetentes, entre bons e maus.A democracia vive da alternância, é certo. Mas governar exige método, conhecimento e sentido de prioridades. E é nesse confronto com a realidade que a AD tem mostrado os seus limites.

Preguiça. Não têm faltado anúncios, planos, pacotes, siglas e nomes sonantes — PTRR, PSU, “Reforçar”, “Acelerar”, “Construir Portugal”. Imaginação não falta a esta AD. O problema está na passagem do anúncio à execução.Na Saúde, prometeu-se resposta rápida; a realidade exigia mais do que medidas de emergência e comunicação política. O SNS continua sob pressão e o recurso ao privado tem sido apresentado, vezes de mais, como solução para problemas que pedem reforço estrutural. Na Administração Interna, a sucessão de tempestades expôs falhas........

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