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Habemus Governo

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26.02.2026

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Bruxelas tem, finalmente, governo regional. Ao fim de mais de 600 dias de impasse político, negociações falhadas e vetos cruzados, chegou o acordo. E como se a própria cidade tivesse decidido sublinhar o momento com humor – ou talvez puro surrealismo bruxelense -, no local onde decorreram as negociações surgiu mesmo na varanda uma personagem vestida de cardeal, acompanhada de fumo branco, a anunciar simbolicamente o fim do bloqueio.

A comparação com um conclave não é exagero. Durante quase dois anos, a Região de Bruxelas-Capital viveu em gestão corrente. Não se podia dissolver o parlamento, não se avançava com reformas estruturais, investimentos ficavam congelados ou adiados, decisões estratégicas eram empurradas para amanhã. A máquina administrativa funcionava, mas faltava direção política.

Entretanto, acumulavam-se tensões: debates sobre segurança, habitação, mobilidade, financiamento regional. Tudo isto numa cidade que é capital da Bélgica, sede de instituições europeias e palco permanente de decisões continentais. Uma capital política que, paradoxalmente, vivia num vazio executivo.

Formar este governo foi um exercício de engenharia política rara. Sete partidos sentaram-se à mesa, cada um com sensibilidades linguísticas, ideologias e eleitorados a satisfazer. Numa região onde o xadrez institucional já é complexo por definição, alinhar tantas peças exigiu meses de avanços e recuos, desconfianças públicas e negociações discretas. Não se tratou apenas de distribuir pastas, mas de encontrar uma fórmula de coexistência entre visões muito distintas da cidade.

O acordo agora alcançado é mais do que uma solução partidária: é um sinal de desbloqueio institucional. O cardeal improvisado e o fumo branco arrancaram sorrisos, mas também lembraram algo essencial: até na capital da Europa, a política pode resvalar para o simbolismo teatral quando o impasse se prolonga.

Entre realismo institucional e surrealismo político, Bruxelas volta finalmente a ter um Governo e a ter governo. Resta saber se este “milagre” será estável ou se, um dia destes, voltaremos a olhar para o céu à espera de novo fumo branco.

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