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“Portas-te Mal, Vais Prá Mitra”

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17.04.2026

Quando António de Oliveira Salazar subiu à cadeira do poder, decidiu limpar o país da escumalha que envergonhava tão egrégia nação de históricos lusitanos navegantes, corajosos andarilhos que ofereceram novos mundos ao Mundo e elevaram Portugal à grandiosidade secular. Urgia varrer das ruas da capital do Império “as nuvens de mendigos que se encarniçavam sobre os transeuntes com a fúria ou a pertinácia dos parasitas” ditava o propagandista jornal O Século. O Salvador da Pátria, de cognome jocoso “o Botas”, defendia acérrimo o lema aplicado aos portugueses: pobrezinhos, mas honrados. Nada de gentalha maltrapilha, aleijados, ranhosos, surrados, pés-rapados, órfãos e desamparados sem eira nem beira, homens despidos de brio cujos olhos chispavam a loucura dos desalmados, mulheres a venderam-se por tostões que mal matavam a fome, velhos solitários arrastados na sovinice da esmola, bêbados trôpegos e entaramelados que seguiam à letra o dizer do ditador: beber........

© Correio do Minho