menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

“A urgência dos olhos que...”

29 0
02.03.2026

Durante décadas, as escolas portuguesas contaram com uma figura discreta, mas absolutamente determinante: o vigilante escolar. Hoje, a sua ausência, sente-se com particular acuidade nas escolas de Braga e nas de todo o país. O desaparecimento desta função coincidiu, não por acaso, com um aumento da perceção de insegurança em meio escolar. Nos últimos tempos, multiplicaram-se notícias de agressões, episódios de bullying, conflitos dentro e nas imediações das escolas, quer públicas, quer privadas. Casos noticiados que trouxeram para a agenda pública uma questão que muitos profissionais já sentiam no terreno: a prevenção claramente enfraqueceu. A escola é sempre escola, para o bem e para o mal. É um espaço de aprendizagem de valores positivos e de crescimento humano. Mas por ser, também, o lugar onde os jovens se encontram, experimentam limites e testam pertenças, pode ser – mas não deve - um espaço de aprendizagem de comportamentos disruptivos e, em casos extremos, inclusive ilegais. Se não houver uma atenção e intervenção precoce, os jovens podem não interiorizar, desde cedo, quão ilegítimos e destrutivos certos comportamentos são, fazendo com que a linha que separa um mero erro de percurso e de juventude da interiorização e normalização do ilícito se torne perigosamente ténue. É aqui que a figura do vigilante escolar fazia a diferença. Os antigos vigilantes escolares eram, na quase totalidade dos casos, profissionais oriundos das forças de segurança, com formação específica e experiência operacional. Tinham uma capacidade de leitura do contexto, de deteção de sinais........

© Correio do Minho