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“Braga, os cem dias de solidão”

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04.02.2026

Em Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez descreve Macondo (cidade imaginária) como um lugar onde o tempo não avança: gira sobre si próprio. Cada novo ciclo político ou social apresenta-se como renovação, mas acaba por reproduzir os mesmos padrões, os mesmos silêncios e as mesmas ilusões de progresso. A leitura dos primeiros cem dias da atual governação autárquica de Braga convida a esse mesmo exercício literário e político: estamos perante um verdadeiro recomeço ou apenas mais um capítulo de uma história que se repete?
Os cem dias são, por tradição democrática, o tempo da indulgência crítica. Não servem para balanços definitivos, mas para perceber rumos, prioridades e, sobretudo, a relação entre poder e oposição. Em Braga, esse marco temporal foi cumprido com normalidade administrativa, comunicação cuidada e continuidade absoluta. Nada de surpreendente. Mas é precisamente aí que a metáfora de Márquez ganha força: quando o novo ciclo se apresenta como mera repetição do anterior, o problema deixa de ser a governação e passa a ser tudo o que a rodeia.
Tal como em Macondo, onde o poder se prolonga não apenas pela sua força, mas pela ausência de confronto real, também em Braga o atual presidente da câmara governa num cenário de confortável solidão política. Os cem dias não foram um teste exigente, mas um passeio institucionalmente confortável.
Tal como em Macondo, onde o poder se exerce sem........

© Correio do Minho