A refundação da democracia passa por nós
A recente cobertura da imprensa internacional sobre o cenário político-econômico brasileiro insiste em diagnosticar o país através da lente do encravamento, uma democracia aprisionada entre o fantasma do patrimonialismo, a rigidez orçamentária e a polarização de elites que se alternam no poder sem rasgar o tecido das desigualdades estruturais. Contudo, ao olhar para a imagem do Cristo Redentor de olhos tapados — alegoria da cegueira institucional diante das nossas crises recorrentes a matéria do The Economist—, escapa à análise eurocêntrica o que realmente move a história nos momentos de penumbra e incerteza que é a emergência de novos sujeitos políticos.
A nossa jovem democracia, erguida sobre os escombros de um regime autoritário e sobre fundações nunca totalmente superadas da escravização e da eugenia social, vive sob o signo do risco contínuo. Não se trata apenas de uma fragilidade eleitoral ou fiscal, mas de uma crise ontológica de representação. As saídas desenhadas nas cúpulas de Brasília ou do mercado financeiro teimam em reproduzir o mesmo perfil de liderança — majoritariamente branca,........
