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Terras raras não são farelo de soja

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26.04.2026

A ciência política, na sociedade globalizada pelo capitalismo monopolista, nos fala de uma soberania nacional relativa, fragmentada. O conceito cobra a revisitação da ciência política, tal sua fragilidade e imprecisão no quadro da ordem internacional em crise, quando as forças que contam — e são as potências nucleares — ferem de morte o multilateralismo, abandonam as mesas de negociações e adotam o baraço e cutelo — a guerra tour court — como ponto de partida e ponto de chegada do diálogo de uma só voz. Como o diálogo do cordeiro com o lobo, consagrado por Jean de La Fontaine. A realidade de hoje é a de um mundo em guerra, aflito; um mundo de interrogações e receios, um presente de conflitos em série que nos faz temer o futuro. Até aqui, sugerindo-nos alívio, os senhores da guerra têm conseguido manter sob algum controle suas operações, e vêm mantendo mais ou menos circunscrito o teatro onde despejam bombas, matam civis, destroem cidades. Mas, ensina-nos a história, o rastilho de pólvora quase sempre realiza seu destino. A guerra que os EUA, auxiliados pelas tropas do sionismo, promovem contra os palestinos, os libaneses e o povo iraniano — uma civilização de mais de 4 mil anos que Donald Trump, perigoso criminoso de guerra à solta, prometeu fazer retornar à idade da pedra — integra uma estratégia maior, bem mais complexa, porque cuida da disputa com a China em moldes que lembram a Guerra Fria dos tempos do confronto URSS-EUA. O conflito de hoje, porém, já pervade o mundo, caminhando por outros meios, atingindo a economia em escala planetária: inflação, queda do PIB, concentração de renda, aumento da pobreza. Na outra ponta, o extraordinário crescimento dos orçamentos bélicos, anunciando o breve futuro. A guerra de hoje compreende, além do cardápio clássico, os inumeráveis recursos da “guerra híbrida” e o papel da “internacional neofascista” que, a partir da Casa Branca, lança mão de todos os instrumentos, meios e recursos disponíveis, quaisquer, legais ou não: embargos, boicote comercial, sequestro de bens e recursos monetários, sabotagens, assassinatos etc., para alcançar seus objetivos. A listagem não tem fim — e jamais nos esqueçamos dos préstimos da CIA e dos Marines. Em nosso continente, que conheceu tantos golpes e ditaduras militares, já há o que registrar, e não é nada bom: a resistência ao imperialismo refluiu para os governos de centro-esquerda, hoje restritos, além do Uruguai, ao Brasil e à Colômbia, que enfrentarão eleições presidenciais desafiadoras no próximo semestre. Delas participará ativamente a internacional neofascista, comandada pela Casa Branca, instrumentalizando a guerra híbrida que desde sempre se abate sobre nossos países. O conceito de “guerra híbrida” compreende os meios que visam a enfraquecer o adversário, sem necessariamente recorrer aos recursos convencionais. Opera influenciando decisões estratégicas, redefinindo alinhamentos geopolíticos, por exemplo, as pressões visando a afastar o Brasil do bloco dos “não........

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