Presidente, a caneta é sua. A força é do povo
O povo reelegeu Lula, mas não lhe entregou um Congresso comprometido com seu projeto de país. A vitória eleitoral não desmontou as estruturas de poder que disputam o orçamento, os direitos sociais e a soberania brasileira. Este texto nasce de uma contradição decisiva. O presidente tem a caneta e os instrumentos constitucionais para agir, mas suas decisões enfrentarão a resistência dos interesses que dominam o Parlamento. A disputa vai muito além da governabilidade. O que está em jogo é quem efetivamente governa o Brasil.
O poder que as urnas não entregam
Em 25 de outubro, 64.256.232 brasileiros reconduziram Lula à Presidência. Nas mesmas urnas, o PL consolidou as maiores bancadas partidárias da Câmara e do Senado. A eleição decidiu quem ocupará a Presidência, não quem controlará as condições para governar. É nessa fratura que começa 2027. Os votos não dissolveram os interesses econômicos que atravessam o Estado nem converteram forças reacionárias em defensoras de novos direitos. A vitória merece ser celebrada. Confundi-la com a conquista do poder efetivo seria entregar a iniciativa a quem dispõe dos meios para paralisá-la.
Um projeto pode perder sua força antes do plenário, alterado na relatoria, retido na pauta ou mutilado na negociação orçamentária. Na política, atrasar também é decidir. A extrema direita não precisa convencer todo o Congresso de sua visão de mundo; encontra convergências pontuais com interesses que preferem preservar privilégios a admitir mudanças. O bloqueio pode surgir com aparência de acordo técnico, embora carregue uma escolha profundamente política. Não há resposta à altura se tudo terminar numa sucessão de reuniões reservadas,........
