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O experimento Milei: números, custos sociais e o espelho brasileiro

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06.04.2026

A experiência recente da Argentina sob o governo de Javier Milei tornou-se, ao mesmo tempo, um laboratório econômico e um campo de disputa narrativa. Seus defensores apontam para indicadores macroeconômicos que melhoraram de forma rápida; seus críticos, para o custo social elevado e para a fragilidade dessa estabilização. O problema é que ambas as leituras, quando isoladas, simplificam um processo muito mais complexo — e profundamente político.

Os números, de fato, impressionam à primeira vista. A inflação, que chegou a superar 200% ao ano em 2023, recuou de forma significativa, aproximando-se da faixa de 30% anual ao longo de 2025. Trata-se de uma desaceleração expressiva, ainda que partindo de um patamar explosivo. Ao mesmo tempo, o governo anunciou superávit fiscal primário — algo que a Argentina não registrava de forma consistente há mais de uma década. A pobreza, que havia ultrapassado 40% da população, recuou para algo próximo de 28%, segundo estimativas recentes.

Mas é precisamente aqui que começa o problema analítico. Esses números não contam toda a história — e, em alguns casos, escondem mais do que revelam.

A queda da inflação, por exemplo, não foi resultado de uma expansão da oferta ou de um ganho estrutural de produtividade, mas de um ajuste recessivo profundo. O consumo interno despencou. O investimento produtivo permanece retraído. O crédito segue limitado. Em outras palavras, a inflação caiu também porque a economia foi comprimida.

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