menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Jardineira

32 0
03.09.2026

7 por 0, ou se preferir, de domingo a domingo. Essa foi a escala de trabalho de Therezinha durante grande parte de sua vida.

Therezinha, minha mãe e de meus dois irmãos, Pedro e Roberto.

Therezinha, casada com Edgar, nosso pai.

Na juventude, conquistou o diploma de Técnica em Contabilidade. Passou com excelentes notas e acreditou que um dia teria salário e independência.

Enganou-se. As contas de sua vida seriam outras.

É difícil para as jovens de hoje imaginar, mas nos anos 1950 e também por muitas e muitas décadas à frente, chegando aos dias de hoje, mulheres cuidavam e cuidam da casa. “Cuidar da casa” significava cuidar de tudo, menos dela mesma.

O primeiro desafio da Therezinha era fazer o salário magro de meu pai dar conta das despesas. Pra isso, tudo tinha que ser (re)aproveitado. E era.

O bife de domingo era o croquete da segunda.

O que restava da galinha ensopada, incluindo pescoço e pés, era desfiado para virar a estrela do arroz de forno, reforçado com o que houvesse na “Frigidaire” amarela.

Minha mãe fazia todas as compras, conhecia endereços e horários onde os alimentos eram mais baratos.

Therezinha sabia pechinchar, sabia escolher, sabia que perto do prazo de validade o Café Palheta tinha desconto na quitanda da Isaura e que no........

© Brasil 247