Esmeralda
Era uma vez um menino bonito. Não bonitinho ou simpático, bonito mesmo.O que mais chamava atenção no garoto eram seus olhos grandes, com brilho de esmeralda.
Como tudo o que é verde, o tom variava. De manhã, eram serenos, cor de limonada. Depois do almoço, transformavam-se em azeitonas. À noite, as bolas verdes faiscavam.
Os outros meninos da rua afiavam a inveja e espetavam: “Acho azul mais legal”. “Quer apostar como ele usa lente de contato?”.
Gilberto, o Giba, saboreava mesmo era a unanimidade entre as meninas. Bem menos carrancudas que os garotos, elas perceberam que não era apenas questão de cor. Naquele olhar havia personalidade e sedução.
Ali pelos nossos 12 ou 13 anos, nos conhecemos; me resignei com meus míopes olhos castanhos e experimentei uma inesquecível amizade.
Nada é mais visceral e verdadeiro do que amizade adolescente. Quando ninguém nos entende, quando você descobre que não é mais criança e que falta uma eternidade para ser adulto, só pode contar com os amigos; e o Giba foi meu melhor amigo naqueles tempos.
Nunca soube se........
