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Fator China se torna elemento central das eleições presidenciais de 2026

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14.08.2026

A eleição presidencial brasileira de 2026 será decidida por muitas questões domésticas, mas uma variável externa ganha importância cada vez maior: o fator China. O que está em jogo não é simplesmente se o Brasil deve escolher Pequim ou Washington. A verdadeira questão é saber se o País continuará tendo liberdade para escolher seus parceiros, defender seus interesses econômicos e tomar decisões soberanas ou se aceitará que suas políticas comercial, industrial, tecnológica e externa sejam condicionadas pelos Estados Unidos.

Essa discussão deixou de ser abstrata desde que o presidente Donald Trump passou a utilizar tarifas e outras formas de pressão econômica como instrumentos explícitos de poder. O Brasil foi atingido pelas novas barreiras comerciais norte-americanas e decidiu acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, sem abandonar a negociação. O governo iniciou consultas diplomáticas e abriu o caminho jurídico para eventuais contramedidas proporcionais.

É nesse contexto que a China se transforma inevitavelmente em tema da eleição brasileira. Não porque o Brasil tenha decidido trocar uma dependência pela outra, mas porque o governo Lula insiste em algo elementar: o Brasil deve negociar com Estados Unidos, China, Europa, Índia, países do BRICS, América Latina e qualquer outro parceiro que contribua para seu desenvolvimento.

Em outras palavras: o Brasil não precisa pedir licença para crescer.

Emprego e investimento mostram que existe outro caminho

Os resultados econômicos ajudam a explicar por que essa disputa ganhou tamanha dimensão política.

Entre 2023 e 2026, os dados da RAIS apontaram saldo positivo de 10,1 milhões de vínculos formais de trabalho. O número inclui diferentes modalidades de emprego formal e não deve ser confundido com o saldo do Novo Caged, que utiliza metodologia distinta, mas revela uma expansão muito significativa do universo de trabalhadores formalizados durante o terceiro governo Lula.

Ao mesmo tempo, o Brasil voltou a ocupar posição de destaque como destino dos investimentos chineses. Em 2025, tornou-se o principal destino mundial dos aportes chineses, recebendo 10,9% do total global, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China.

Essa combinação é fundamental.

O Brasil precisa de emprego, investimento produtivo, industrialização, infraestrutura, energia e tecnologia. A China tem capital, empresas, capacidade industrial e interesse em ampliar sua presença no País. Em um mundo normal, isso não deveria representar ameaça a ninguém.

Se uma empresa chinesa deseja construir uma fábrica de automóveis no Brasil, produzir equipamentos, financiar infraestrutura, investir em energia, pesquisar biotecnologia ou participar da construção da infraestrutura brasileira de inteligência artificial, a pergunta brasileira deveria ser simples: esse........

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