Suspeitas sobre Kássio e Mendonça são graves e levantam hipótese de venda de sentença
As revelações extraídas das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master colocaram o Supremo Tribunal Federal diante de uma questão que ultrapassa disputas internas entre seus ministros. Os elementos envolvendo Kássio Nunes Marques e André Mendonça são suficientemente graves para exigir esclarecimentos formais, sem que suspeitas sejam confundidas com conclusões antecipadas.
No caso de Nunes Marques, ministro indicado por Jair Bolsonaro, a sequência dos acontecimentos chama atenção. Reportagem da revista piauí mostrou que o Banco Master transferiu R$ 6,63 milhões para a Consult Inteligência Tributária entre agosto de 2024 e julho de 2025. No mesmo período, a Consult repassou R$ 282 mil a Kevin Marques, filho do ministro. Mensagens entre Daniel Vorcaro e Luiz Rennó, então ligado à direção jurídica do Master, associam diretamente o nome de Kevin aos pagamentos da Consult. Em uma delas, Rennó pergunta ao banqueiro se um pagamento de “500 mil mês” seria mantido.
Kevin Marques reconhece ter recebido R$ 281,6 mil da Consult, mas afirma que o dinheiro remunerou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. Ele nega ter trabalhado para o Banco Master ou recebido recursos de Vorcaro. Nunes Marques, por sua vez, afirma que jamais votou em favor do Master e rejeita qualquer relação entre a atividade profissional do filho e sua atuação no Supremo.
É nesse ponto que entra um segundo elemento: o julgamento envolvendo a Destilaria Alcídia.
A empresa cobrava da União reparação por prejuízos sofridos pelo setor sucroalcooleiro. Embora o Banco Master não fosse parte no processo, a decisão interessava diretamente à instituição porque poderia repercutir sobre uma carteira de precatórios do setor que, segundo estimativas da Polícia Federal citadas pela piauí, superava R$ 10 bilhões. Para um banco que enfrentava problemas de liquidez, uma decisão favorável à tese defendida pela Alcídia poderia produzir reflexos relevantes sobre ativos registrados em seu balanço.
A trajetória de Nunes Marques dentro desse processo é especialmente relevante.
Na sessão virtual realizada entre 9 e 20 de fevereiro de 2024, a certidão do STF registrou expressamente: “Impedido o ministro Nunes Marques”. O próprio ministro havia atuado no processo quando era desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, chegando a presidir sessão e assinar acórdão relativo ao caso.
No mês seguinte, porém, Nunes Marques mudou de posição. Em despacho, sustentou que o impedimento fora registrado “por equívoco da assessoria do gabinete” e declarou-se habilitado a votar. O processo estava empatado em 2 a 2: Dias Toffoli e Edson Fachin haviam votado a favor da Alcídia;........
