O STF, o cinismo e a crise de confiança nas instituições
O cinismo pode ser compreendido como a atitude de quem age com descaramento, desprezo pelas normas morais e indiferença diante dos valores coletivamente reconhecidos. Manifesta-se quando alguém mente ou pratica uma falta sem demonstrar arrependimento, constrangimento ou pudor. Em sua expressão mais evidente, consiste em negar fatos conhecidos, mesmo diante de provas incontestáveis, recorrendo à frieza, à ironia ou ao deboche para fugir da responsabilidade.
Não se trata apenas de uma falha individual de caráter. Quando o cinismo se converte em método de atuação pública, ele adquire dimensão institucional e contamina todo o universo do poder. Passa a corroer a confiança social, enfraquecer a autoridade das regras e disseminar a percepção de que os princípios valem apenas para os outros. É a conhecida máxima: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Infelizmente, esse comportamento está presente, todos os dias, na atuação de parte dos agentes públicos brasileiros. Discursa-se em defesa da moralidade, mas age-se em benefício próprio. Invoca-se a legalidade contra os adversários, mas relativizam-se as normas quando elas alcançam aliados. Exige-se transparência dos outros enquanto se cultivam zonas de sombra nos próprios atos. O cinismo político nasce justamente dessa distância deliberada entre o discurso e a prática.
Nesse ambiente, falar com autenticidade e revelar o que verdadeiramente se pensa pode ser tratado como uma espécie de “sincericídio”. A sinceridade passa a ser vista como ingenuidade, enquanto a dissimulação recebe nomes mais elegantes: habilidade, prudência, inteligência estratégica ou capacidade de antecipar cenários. Aos........
